Ventos de Toledo · Schadler Tech · memória de cálculo · versão 1 (M12, 01/11/2026)

Metodologia da classe v3 de vulnerabilidade ao vento

Como o site classifica cada construção em baixa, moderada, alta ou muito alta: variáveis, fórmula, pesos, limites, origem de cada escolha, exemplo numérico e limitações. No código a classe chama-se periculosidade v3; aqui o termo "vulnerabilidade" significa exposição relativa ao vento, não probabilidade de dano. Rótulos: FATO (medido ou lido de arquivo), ESTIMATIVA (cálculo com premissa), HIPÓTESE (a testar), A CONFERIR (sem fonte). Triagem indicativa, não é laudo.

Em linguagem simples: de onde vem a classe

A classe (baixa, moderada, alta ou muito alta) é uma comparação, não uma previsão de dano. Para cada construção, o site pergunta: "nos ventos mais comuns da região, esta construção tende a levar mais ou menos vento que as demais?"

  1. O terreno e o entorno: morros, vales, matas, construções vizinhas e lavouras aceleram ou freiam o vento. Um modelo de computador calcula isso para 16 direções.
  2. A direção do vento: nos últimos 21 anos, o vento forte em Toledo veio mais de norte, nordeste e noroeste. Essas direções valem mais na conta.
  3. A construção: tamanho, altura, forma, tipo de cobertura (galpão leve ou casa) e se há vizinhos que abrigam ou altos que "empurram" o vento para baixo.
  4. A comparação: o resultado de cada construção é colocado numa fila com as 11.505 construções mapeadas no raio de 10 km do aeródromo de Toledo. Os 25% menos expostos são "baixa"; do meio, "moderada" e "alta"; os 5% mais expostos, "muito alta".

O que a classe não diz: se a construção vai cair, nem a chance de isso ocorrer. Ela serve para priorizar onde olhar primeiro. Ela marca muitas construções sem dano como "alta" (cerca de 42%), foi testada com poucos casos reais (15) e não substitui a vistoria de um engenheiro. HIPÓTESE

A fórmula e a classe

Para uma edificação, em cada uma das 16 direções k de onde o vento pode vir (N, NNE, NE… NNO, a cada 22,5°):

v3 = Σk=1..16 wk · ( gk · Fk )²
Fk = Gprojk · f_abrigok · f_degrauk · K_tipo · R_tamanho      (× Fm, só nas fichas cadastradas)
v2 (só terreno) = Σ wk · gk²

Classes (por percentis da distribuição de v3 das 11.505 edificações do OpenStreetMap a até 10 km do hangar de Toledo): baixa < 0,522 ≤ moderada < 0,771 ≤ alta < 1,168 ≤ muito alta (P25, P75 e P95). Para o terreno sem edificação, usa-se o índice v2 da célula e os limites das células (P25, P75, P95 = 0,781, 0,967, 1,142). ESTIMATIVA

O que NÃO entra na classe v3: V0, S1, S2 e S3 da NBR 6123, CAPE, previsão, tipo de telha, fixações, ancoragens, estado de conservação. O v3 é relativo (compara construções entre si) e por isso as lacunas da norma (V0 e S2 de Toledo, seção Norma) não alteram a classe v3; elas afetam o motor VT-R de probabilidade de dano (/motor/), que é outra ferramenta.

Todas as variáveis que entram na classe v3

Lista conferida contra o código (d09_modelo_v3.py, vento_modelo.py, m8_edif_v3.py). Regra anti-circularidade: todos os coeficientes da coluna "Valor" foram fixados antes de olhar a métrica; nenhum foi ajustado para acertar os pontos com dano.

Variáveis da classe v3 (norma · artigo · calibração local · julgamento de engenharia)
GrupoVariávelEntra emValor / fórmulaOrigem da escolhaRótuloRef.
TerrenoRelevo (altitude)gkCopernicus GLO-30 (modelo de superfície, 30 m), suavizado; declividade e topografia lineardado aberto (Copernicus); método de topografia linear da literatura (citação do código)ESTIMATIVA—
TerrenoCobertura do sologk (via rugosidade z0)ESA WorldCover 2021 (10 m): árvores, arbustos, pastagem, lavoura, construído, solo, água, várzeadado aberto (CC BY 4.0)FATO—
TerrenoRugosidade z0 por classe de coberturagkárvores 0,03; arbustos 0,25; pastagem 0,03; lavoura 0,05; construído 0,03; solo exposto 0,01; água 0,0002; várzea 0,05 (m); referência plano aberto z0 = 0,03 mjulgamento de engenharia (valores de tabelas de rugosidade de literatura, citação do código)ESTIMATIVA—
TerrenoEdificações e árvores do OpenStreetMapgk (arranjo de obstáculos) e abrigopegadas, altura (tag height; níveis × 3 m; padrão por tipo 6/5/3/3,5 m, limite 2–120 m), árvores isoladas 8 m, matas 15 m (extrato de 20/10/2026)dado aberto (ODbL); alturas padrão = julgamentoESTIMATIVA—
TerrenoModelo de rajada por direção (g)gkrugosidade de arranjo de obstáculos (modelo de 1998) e de dossel de árvores (1969), camada limite interna (1958), aceleração topográfica linear (teoria linear de escoamento sobre colinas), abrigo de barreiras (modelos de 1977 e 1981), esteira de separação, canalização em vales, fator de rajada G = 1 + 3·Iu (EN 1991-1-4 e literatura de rajada); grade de 30 m, 16 direções, média de janela 3×3 na edificaçãocomposição de métodos de literatura, sem calibração local (HIPÓTESE do modelo). Citações vindas dos comentários do código (autores omitidos nesta página; ver vento_modelo.py), ainda não verificadas uma a umaHIPÓTESEA CONFERIR
ClimaPeso climático wkwkhoras com rajada ≥ 50 km/h por setor de 22,5°, 2005–2025, normalizadas (tabela abaixo)dado de reanálise (Open-Meteo); contagemESTIMATIVA—
EdificaçãoPegada (L, W, φ, área A)Gproj, R_tamanhoretângulo mínimo rotacionado da pegada do OSM: lado maior L, menor W, azimute φ do eixo maior; A = área da pegada (≥ 8 m²)dado aberto (OSM); geometria = cálculoFATO—
EdificaçãoAltura hf_abrigo, f_degrauOSM height; ou níveis × 3 m; ou padrão por tipo (industrial/comercial 6 m; agro 5 m; estufa 3 m; demais 3,5 m); limitada a 2–120 mdado aberto; padrão = julgamentoESTIMATIVA—
EdificaçãoTipo de cobertura K_tipoFkleve (industrial, galpão, hangar, comercial, agro, silo, construção…) 1,10; residencial (casa, garagem, apartamentos…) 0,92; outro 1,00julgamento de engenharia fixado a priori (coberturas leves sofrem mais sucção). Contexto: classificação de cobertura por aprendizado de máquina para risco de ventoHIPÓTESE[R7]
EdificaçãoTamanho RFkR = clip(1 + 0,08·log10(max(A, 50)/300), 0,90, 1,15)julgamento de engenharia a prioriHIPÓTESE—
EdificaçãoLargura projetada GprojkFkGproj = clip(√(Wproj/√A), 0,85, 1,20); Wproj = L·|sen(φ−θk)| + W·|cos(φ−θk)|julgamento de engenharia (largura exposta ao vento); sem calibração. Contexto: substitutos de pressão aprendidos para edificaçõesHIPÓTESE[R16] [R17]
EntornoAbrigo f_abrigokFkf = 1 − 0,5·Sh; Sh = min(0,6; 1 − Π(1 − si)); si = 0,35·min(1, Hoi/h)·clip(1 − xi/(12·Hoi), 0, 1) para cada obstáculo (edificação, árvore, mata) de altura Hoi a distância xi ≤ 300 m, na faixa de ±22,5° de onde o vento vemjulgamento de engenharia inspirado em modelos de abrigo de barreiras (1977 e 1981)HIPÓTESE—
EntornoDegrau de altura f_degraukFkf = 1 + 0,10·clip(log2(h/h̄), −2, 2), h̄ = altura média dos obstáculos a ≤ 150 m na faixa; neutro (1,00) sem vizinhosjulgamento de engenharia a prioriHIPÓTESE—
Ficha cadastradaFm: balanço/marquise, painéis solares, abertura dominanteFk (só pins)marquise 1,12; painéis 1,08; abertura dominante 1,00 (neutro: desconhecida na maioria)julgamento; atributos manuais vindos da vistoria do próprio prédio danificado (dentro da amostra)HIPÓTESE—
ClasseLimites P25/P75/P95classev3: 0,522 / 0,771 / 1,168 (11.505 edificações ≤ 10 km); v2 de célula: 0,781 / 0,967 / 1,142calibração local RELATIVA (percentis da própria base), não de danoESTIMATIVA—
ClasseOrdem de uso na /consulta/classe final1º ficha cadastrada a ≤ 60 m; 2º edificação do OSM a ≤ 60 m; 3º índice v2 do terrenoregra de projetoFATO—
Raio ampliado (M12)Edificações a 10–45 kmv3mesmas fórmulas e constantes aplicadas ao campo de rajada do domínio de 120 km; limites e percentis da base de Toledo; fator de harmonização 0,9466 (razão mediana de 1,056 na sobreposição ≤ 10 km)calibração interna (sobreposição) + julgamentoESTIMATIVA—

Pesos climáticos wk por direção ESTIMATIVA

Reanálise horária de vento (Open-Meteo, ponto -24,710, -53,730; 184.080 horas, 2005–2025). Peso = horas com rajada ≥ 50 km/h na direção ÷ total dessas horas. É contagem de dado de reanálise (FATO da contagem), mas a reanálise subestima rajadas de tempestade (ESTIMATIVA): o peso representa o vento sinótico, não o downburst.

Rosa de rajadas, Toledo (2005–2025)
Direção (de onde vem)Horas (todas)Horas ≥ 40 km/hHoras ≥ 50 km/hPeso w
N962713232530,1688
NNE1801223192710,1808
NE3292127302190,1461
ENE374971612770,0514
L19202213200,0133
ESE87684790,0060
SE866467130,0087
SSE7997128210,0140
S8791320360,0240
SSO7788471450,0300
SO6463455720,0480
OSO3952284390,0260
O3086206390,0260
ONO2698219560,0374
NO35943881240,0827
NNO50207102050,1368

Terreno: de onde vem gk

O modelo de terreno (vento_modelo.py, "Caminho do vento") roda em grade de 30 m, para 16 direções, e devolve a razão de rajada g em cada célula. Etapas: (1) rugosidade z0 e deslocamento d por célula, a partir de edificações, árvores e cobertura; (2) marcha do vento ao longo da direção, com camadas limite internas a cada mudança de rugosidade; (3) aceleração por topografia (forma linear em FFT, limitada); (4) abrigo e esteira de barreiras; (5) canalização em vales; (6) fator de rajada. Resultado: g = (rajada local)/(rajada em terreno plano aberto) para o vento de cada direção. HIPÓTESE Não reproduz microexplosão (downburst) nem tornado: só modula o vento sinótico por terreno e entorno. Os parâmetros de cada etapa são de literatura geral e não foram calibrados com medições locais (HIPÓTESE).

Exemplo resolvido passo a passo: hangares do aeródromo de Toledo

Ponto real: edificação mapeada no OpenStreetMap em -24,68695, -53,69621 (hangares do aeródromo, a 0 m do ponto cadastrado). FATO

  1. Geometria (OSM): tipo hangar, pegada de 652 m²; retângulo mínimo L = 31,7 m, W = 20,5 m, eixo maior no azimute 2°; altura 6,0 m (padrão por tipo, ESTIMATIVA).
  2. Tipo: cobertura leve → K_tipo = 1,10. Tamanho: R = 1 + 0,08·log10(652/300) = 1,027.
  3. Para cada direção k (tabela): gk do modelo de terreno (média 3×3 na célula); Gprojk = clip(√((L|sen(φ−θ)| + W|cos(φ−θ)|)/√A), 0,85, 1,20); obstáculos em 300 m dão Shk → f_abrigo = 1 − 0,5·Sh; degrau f_degrau; F = Gproj·f_abrigo·f_degrau·K·R.
  4. Soma ponderada: v3 = Σ w·(g·F)² = 1,272. (Conferência: a coluna da direita soma 1,2723.)
  5. Classe: limites (0,522; 0,771; 1,168). Como v3 = 1,272 ≥ 1,168, a classe é muito alta; percentil na base de Toledo = 97,0%.
Cálculo do v3 em 16 direções
DireçãowgGprojShf_abrigoh/h̄f_degrauF = Gproj·f_abr·f_deg·K·R(g·F)²w·(g·F)²
N0,16880,9890,9190,2050,8971,001,0000,9310,8480,1434
NNE0,18080,8871,0910,2050,8971,001,0001,1060,9620,1739
NE0,14610,7461,1990,0001,000—1,0001,3551,0210,1491
ENE0,05140,8131,2000,0001,000—1,0001,3561,2150,0624
L0,01331,0541,1270,0001,000—1,0001,2731,8010,0240
ESE0,00601,0321,2000,0001,000—1,0001,3561,9570,0117
SE0,00870,9731,2000,0001,000—1,0001,3561,7400,0151
SSE0,01401,0001,1160,0001,000—1,0001,2611,5890,0223
S0,02400,9750,9190,0001,000—1,0001,0381,0250,0246
SSO0,03001,0391,0910,0001,000—1,0001,2331,6400,0493
SO0,04801,0941,1990,0001,000—1,0001,3552,1960,1054
OSO0,02601,0371,2000,0001,000—1,0001,3561,9760,0514
O0,02600,9701,1270,0001,000—1,0001,2731,5250,0396
ONO0,03740,9431,2000,0001,000—1,0001,3561,6340,0610
NO0,08270,9381,2000,0001,000—1,0001,3561,6170,1337
NNO0,13680,9721,1160,0001,000—1,0001,2611,5020,2054

Valores arredondados na impressão; o cálculo usa precisão total. HIPÓTESE: é o resultado de um modelo sem calibração, para comparar construções, não probabilidade de dano.

Segundo exemplo (matriz industrial): v3 = 1,640 → classe muito alta (percentil 99,6%): altura 21,0 m, pegada 1217 m², vizinhos mais baixos geram "degrau" de altura (f_degrau > 1) e abrigo parcial (f_abrigo < 1).

Norma: V0, S2 e o efeito nas cargas (NBR 6123)

V0 de Toledo entre 45 e 50 m/s, base 45 m/s. Fonte: ABNT NBR 6123:2023, item 5.1 e Figura 1, p. 11, leitura do mapa (estimativa). Com 50 m/s, as cargas sobem 23,5%, usado como sensibilidade. V0 é a rajada de 3 s a 10 m, em campo aberto, excedida em média uma vez em 50 anos. A CONFERIR O motor de probabilidade usa 45 m/s. Publicações secundárias abertas indicam que o mapa de isopletas foi mantido na revisão de 2023 [R23] A CONFERIR.

Efeito nas cargas: a pressão dinâmica é q = 0,613·Vk² (Vk = V0·S1·S2·S3). Passar V0 de 45 para 50 m/s multiplica q por (50/45)² = 1,235 (+23,5%). Para S1 = S3 = 1:

Pressão dinâmica q = 0,613·(V0·S2)² em Pa (S2 pela fórmula b·Fr·(z/10)^p com a tabela do código; parâmetros A CONFERIR)
Categoria, classez (m)S2q (Pa) com V0 = 45q (Pa) com V0 = 47,5q (Pa) com V0 = 50
II, classe B60,9361.0871.2121.343
II, classe B100,9801.1921.3281.472
II, classe B151,0161.2821.4291.583
III, classe B60,8739461.0541.168
III, classe B100,9211.0531.1741.300
III, classe B150,9611.1471.2781.416

ESTIMATIVA Tabela S2 (b, p, Fr) usada pelo código e a transcrição da edição de 1988: A CONFERIR na fonte oficial. A edição de 2023 reformulou o S2 (velocidade média em 600 s) e o S3 do grupo 1 passou de 1,10 para 1,11 segundo fontes secundárias (+1,8% em q) A CONFERIR.

Como o v3 é relativo, essas incertezas não mudam a classe v3. Elas importam para o motor VT-R, para dimensionamento e para qualquer comparação com a pressão de projeto.

Limitações e limites do método

Referências vistas e como entram

Só constam referências vistas. Elas dão contexto; nenhum coeficiente do v3 foi extraído delas (os coeficientes são julgamento de engenharia fixado a priori). As demais citações dos comentários do código (rugosidade, topografia, abrigo, fator de rajada) estão A CONFERIR.

Apêndice: reprodutibilidade

Para refazer os números: rodar d09_modelo_v3.py (domínio de 10 km, SITE_v4) ou m8_edif_v3.py (lista compacta de edificações com v3) e, para o raio de 45 km, m12_amp\e1_terreno.py → e2_osm.py → e3_superficie.py → e4_modelo.py 16 → e5_camadas.py → e6_grade.py → e7_edif.py.

Hash dos scripts e dados desta memória
ArquivoSHA-256 (16 primeiros)
d09_modelo_v3.py6aa6b218b19f6c12
vento_modelo.pya15c0d016481de16
m8_edif_v3.py9a6393f78a604146
m12_amp\e7_edif.py2549d347625e8b91
dados\perigosidade_v3.json458b5717f7169ecb
dados\estatisticas.json84cea6a188092026
dados\consulta_edif_v3.json06f2f988f37efb7b
dados\consulta_edif_v3_ext.json.gz0c9e691363015ef2
dados\exemplo_v3_m12.json27ab628fa87e1ace

Conferência da ampliação (edificações a ≤ 10 km recalculadas no domínio de 120 km contra o valor anterior): n = 10453 pares; correlação 0.982; mesma classe 84.7%; razão mediana 1.056; fator de harmonização aplicado ao anel externo 0.9466 (mesma classe após harmonização: 89.5%).

Constantes do código (fixadas a priori)

Gerado em 01/11/2026. Documento de apoio técnico, triagem indicativa: não é laudo, não substitui projeto nem vistoria com ART. © Schadler Tech.